quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Foi a mão de Deus


Foi como a mão que Deus fez passar nas águas, assim que nelas poisou seu corpo destilou-se inteiro e nu no elemento líquido, desfeito resignou-se à sua condição, como uma onda vibrou até atingir a branca areia e se desfez em espuma. E a espuma em vento e o vento em coral bailou e sossegou como um sortilégio a magia eterna dos pinheiros, que altos como mastros apontam para o céu.

Assim foi connosco, o encantar e a magia ignorada da sorte que nos fez perder de ilusões e quimeras, teatros gregos enormes vibrantes de multidões, magnéticos de histórias e de romances, para nos perdermos sob o olhar atento da luz da lua na planície morta da noite.
Foi o estio quente que queimou as folhas da palma e a luz da candeia acesa que sossegou a alma tenebrosa da noite e o oceano milagroso, miríade de estrelas luz difusa e penetrante - trazida à terra depois do tempo em que tempo a originou na face de outra estrela. Foi o teu sossegar e alegre (quanto assim) que desapareceu na quina da casa arrastando consigo a luz pelos contornos ávidos e brancos das paredes soltas e deslizando se perdeu, rocha por rocha, até ser engolido como uma única imagem que era na rebentação calma e ordenada que fluía na maré.

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