terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

E depois das coisas ... o mar

Depois de tudo acalmar e poisar entre nós a poeira do firmamento, acorremos como que sem sentidos, dunas e pinheiros, até encontrarmos a planície suave e líquida do mar. Nela poisámos os olhos e naufragámos como dois astros errantes.

Como um deus, passou depressa o tempo. Efémero como uma miragem, seguimos o percurso da areia molhada na linha que a divide da areia seca. A maresia era incomum nessa noite e levantava-se entre nós um manto de nevoeiro ténue, débil, profundo de ervas marinhas. Não nos perdemos, mas perdemos a presença do tempo. Cada coisa aparecia como se esperasse ser nomeada, então os gestos tomaram e fundaram nossa casa. Só longe os pinheiros sussuravam seu eterno e milenar cântico enquanto ia rebentando uma onda à costa, suavemente.

E fomos encontrando, tesouro por tesouro, todas as riquezas do mar. Búzios, coral, estrelas do mar e nós de marinheiros... foi assim a noite até que o sol foi tomando a riqueza das coisas, modelando as nuvens e as sombras. E tudo surgiu entre nós como um mundo novo...

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