sábado, 9 de maio de 2009

Fantasia 2000

Dignidade

A Lua vai alta na noite, eu disponho em cima da mesa o triunfo, o pesar e a dor, todos juntos e irreconhecíveis à luz da noite. O vento arrefece os espíritos e as cores e as forças surgem-me de lado nenhum. Por saber que a vida é a vida, e não tem de ser o que queremos como queremos e que muitas vezes não o é, há que saber vivê-la, não há absolutamente outro jeito ou sentido. E quando me sento para escrever, toda a dor desaparece, pois não sou uma pessoa para ficar em baixo mesmo quando rocei a linha do chão. Apesar de ter tido alguns comportamentos depressivos nestes dias, o que é, do meu ponto de vista normalíssimo, também tive os meus contrapontos de alegria quando soube da parte de quem esperava que estaria do meu lado e esteve.
Agora as horas são menos longas e a vida parece despontar tímida, entre a calçada da manhã recortada de luz.
O importante é nunca desistir de ser feliz de um jeito ou de outro, para isso cá estamos dizia-me alguém, não importa muito quem nestes dias, e se escrevo o que sinto é para que fique no papel e não na minha vida, na minha cara ou nos meus gestos. Para isso, já chega o que me dizem as pessoas, por muito que se acabe com alguém, não importa o modo, se é mais suave ou agressivo, é um acabar, é uma dor imensa que não desejo ao meu pior inimigo e com a qual tenho de continuar em frente, pois sei que o sol brilhará outra vez sobre mim.
Com este discurso quero acreditar que não cultivo o pessimismo, que sou capaz de me renovar e ressurgir de novo em mim, que eu sou como sou, único. Ainda que ninguém desista do outro quando realmente o ama, tenho motivos para ser feliz e fazer os outros felizes, foi assim na sexta-feira quando ajudei quem realmente precisa e se não posso ser inteiramente feliz, sou-o pelos meus actos. E que alegria me dá, poder ajudar os outros, trazer um pouco de felicidade a quem é infeliz e sofre.
Sucintamente, as pessoas podem reagir de modos distintos perante uma dor imensa, eu Diogo, decidi reagir com dignidade e percebi que posso levar alguma felicidade a quem não a tem de imediato - pois tantos são os constrangimentos desta vida. Agora sei o que quero de mim e o que espero dos outros. Se toda a gente assim percebesse que a dor não é impeditiva de ajudar os outros, este mundo seria bem melhor. E, bem assim, talvez a dor seja isso mesmo, um catalizador para fomentar a mudança. Não creio que muitas pessoas se levantem assim e encarem o mundo deste modo. Mas já me diziam os antigos, a dignidade e a sobriedade são soberanas da civilização.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Bonança


Nunca imponhas limites nas coisas que estão certas, não te diminuas a menos do que a tua grandeza é, nunca deixes de ajudar os outros só porque a tua dor é imensa e as tuas forças estão brandas (isso seria um tremendo egoísmo) - há sempre quem de nós precisa, nunca deixes de sorrir porque a tua confiança pode significar a vida de alguém, nunca chores pelo passado porque o passado não volta, tem confiança em quem amas que quem te ama não te abandona, está próximo de quem amas pois precisará de ti nos momentos mais difíceis - pois nem só de alegria vive uma relação, espera, tem paciência, o tempo retornará a ti tudo o que é teu por teu direito e, acima de tudo, sê digno, pois é a única coisa que nos separa da barbárie.

Disseram-me que a vida continua mesmo após uma grande tragédia, talvez seja tímida a renascer, mas amanhã é outro dia, e quem sabe se noutro amanhã, as coisas serão diferentes.

Tem esperança e respeita-te a ti e a quem amas, só assim poderás ser novamente feliz.

Nas praias do mar azul


Nas praias do mar azul, larguei meu corpo nas ondas, onde puro restituíu-se a si mesmo, larguei qualquer estilo e vontade e saboreei o doce travo do céu azul. Naquele instante, o mundo nasceu como um verso de poesia, novo e puro, solto no vento. Desaparecido em si mesmo solto como nunca nomeado. Correu o verso de poesia abarcando tudo desde o princípio do mar ao fim do mar e tudo era como que chamado ao seu nome nomeado.

Chamaram meu nome desconhecido em terra e eu prossegui ao sabor da corrente num barco de leves e soltas velas brancas, como se nunca houvera um igual. Para mim também o mundo era um princípio pronto a ser visto, larguei ali mesmo as designações que me prendiam a lado nenhum e parti, tão certo que a mudança era a única coisa que tinha a favor.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dizer que te amo

Dizer que te amo
Não por palavras mas por gestos
Dizer que te quero em todos os meus passos
Dizer que és o meu balancear intemporal
E de entre tudo és especial e a ti igual.
Que a tua ausência é o silêncio da dor
Que me consome em cada momento que não te toco
Que me faz viver para viver cada momento nosso.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Aconteceu, ana moura

Lisboa numa tarde de pensamentos

Perdi-te e não te perdi, soa-me a estranho a dor que sinto, não a posso pretender por menos. Hoje dei por mim a pensar em ti, nas vagas ruas de Lisboa, apinhadas de matizes de cinzentos. Quero-te tanto, pensei. Mas a dor era profunda e vinha de bem dentro do coração - nada a poderia fazer passar. Já sofri tanto, já sofri demais. Não quero sofrer mais. Mesmo o movimento me parece desprovido de cor e tudo ainda é mais cinzento e triste na cidade branca.
Ver-te partir naquele combóio entristeceu-me o coração, pois sabia que algo ia mudar. Mudou pouco tempo depois. Eu compreendi-te, eu escutei, eu guardei as lágrimas para onde não as pudessem ver derramadas, mas as lágrimas, meu amor, não te devolvem a mim. Eu agora sento-me e espero, esperarei o tempo que for preciso, até que o tempo se resolva. Amo-te e pesa-me o coração de não te ter - mas também sei que, por te amar, não te digo as coisas que me pesam todo o meu coração, pois acima de tudo eu quero que sejas feliz e é esse o tamanho do meu amor. Pois sei que, um dia, o tempo resolverá as feridas e receberemo-nos, mutuamente, num abraço fechado, apertado.
Amo-te