A Lua vai alta na noite, eu disponho em cima da mesa o triunfo, o pesar e a dor, todos juntos e irreconhecíveis à luz da noite. O vento arrefece os espíritos e as cores e as forças surgem-me de lado nenhum. Por saber que a vida é a vida, e não tem de ser o que queremos como queremos e que muitas vezes não o é, há que saber vivê-la, não há absolutamente outro jeito ou sentido. E quando me sento para escrever, toda a dor desaparece, pois não sou uma pessoa para ficar em baixo mesmo quando rocei a linha do chão. Apesar de ter tido alguns comportamentos depressivos nestes dias, o que é, do meu ponto de vista normalíssimo, também tive os meus contrapontos de alegria quando soube da parte de quem esperava que estaria do meu lado e esteve.
Agora as horas são menos longas e a vida parece despontar tímida, entre a calçada da manhã recortada de luz.
O importante é nunca desistir de ser feliz de um jeito ou de outro, para isso cá estamos dizia-me alguém, não importa muito quem nestes dias, e se escrevo o que sinto é para que fique no papel e não na minha vida, na minha cara ou nos meus gestos. Para isso, já chega o que me dizem as pessoas, por muito que se acabe com alguém, não importa o modo, se é mais suave ou agressivo, é um acabar, é uma dor imensa que não desejo ao meu pior inimigo e com a qual tenho de continuar em frente, pois sei que o sol brilhará outra vez sobre mim.
Com este discurso quero acreditar que não cultivo o pessimismo, que sou capaz de me renovar e ressurgir de novo em mim, que eu sou como sou, único. Ainda que ninguém desista do outro quando realmente o ama, tenho motivos para ser feliz e fazer os outros felizes, foi assim na sexta-feira quando ajudei quem realmente precisa e se não posso ser inteiramente feliz, sou-o pelos meus actos. E que alegria me dá, poder ajudar os outros, trazer um pouco de felicidade a quem é infeliz e sofre.
Sucintamente, as pessoas podem reagir de modos distintos perante uma dor imensa, eu Diogo, decidi reagir com dignidade e percebi que posso levar alguma felicidade a quem não a tem de imediato - pois tantos são os constrangimentos desta vida. Agora sei o que quero de mim e o que espero dos outros. Se toda a gente assim percebesse que a dor não é impeditiva de ajudar os outros, este mundo seria bem melhor. E, bem assim, talvez a dor seja isso mesmo, um catalizador para fomentar a mudança. Não creio que muitas pessoas se levantem assim e encarem o mundo deste modo. Mas já me diziam os antigos, a dignidade e a sobriedade são soberanas da civilização.
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