quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lisboa numa tarde de pensamentos

Perdi-te e não te perdi, soa-me a estranho a dor que sinto, não a posso pretender por menos. Hoje dei por mim a pensar em ti, nas vagas ruas de Lisboa, apinhadas de matizes de cinzentos. Quero-te tanto, pensei. Mas a dor era profunda e vinha de bem dentro do coração - nada a poderia fazer passar. Já sofri tanto, já sofri demais. Não quero sofrer mais. Mesmo o movimento me parece desprovido de cor e tudo ainda é mais cinzento e triste na cidade branca.
Ver-te partir naquele combóio entristeceu-me o coração, pois sabia que algo ia mudar. Mudou pouco tempo depois. Eu compreendi-te, eu escutei, eu guardei as lágrimas para onde não as pudessem ver derramadas, mas as lágrimas, meu amor, não te devolvem a mim. Eu agora sento-me e espero, esperarei o tempo que for preciso, até que o tempo se resolva. Amo-te e pesa-me o coração de não te ter - mas também sei que, por te amar, não te digo as coisas que me pesam todo o meu coração, pois acima de tudo eu quero que sejas feliz e é esse o tamanho do meu amor. Pois sei que, um dia, o tempo resolverá as feridas e receberemo-nos, mutuamente, num abraço fechado, apertado.
Amo-te

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