
O Homem velho disse: Vivamos com o que a luz nos dá.
O Homem novo disse: A luz é o trabalho dos deuses
O Homem velho seguiu: Os deuses habitam no topo do mar, no reino dos céus e nos cumes mais elevados. Os deuses do submundo habitam nas profundezas da terra, nos bosques imensos e nas montanhas flamejantes.
O Homem novo disse: Os deuses habitam entre nós. O Homem depende deles.
O Homem velho expôs: Os deuses são o centro do mundo vivamos para eles.
O Homem novo disse: Não há deuses, há um Deus e tudo é obra d'Ele.
O Homem velho expôs: Deus criou tudo quanto existe.
O Homem novo acrescentou: Deus está vivo e no meio de nós
O Homem velho expôs: Saibamos representar Sua presença na terra, para que a nova ordem seja estabelecida.
O Homem novo ponderou: Será a terra o centro de tudo?
O Homem velho disse: Cortem-lhe a cabeça e dispersem os seus membros pela terra.
O Homem novo não se resignou: Ele está vivo no meio de nós
O Homem velho disse: Chamem os soldados e queimem-lhe os pertences, amaldiçoem as suas gerações e ponham sal nas suas terras para que nada cresça.
O Homem novo propôs: A Terra gira em torno do Sol.
O Homem velho disse: A terra não é o centro do universo.
O Homem novo foi mais além: A nossa galáxia é o centro do universo.
O Homem velho disse: O nosso Sol já não é o centro do Universo.
O Homem novo disse: A origem das espécies está assente em critérios de selecção natural e o criacionismo é uma inverdade.
O Homem velho respondeu que não descendia dos macacos.
O Homem novo disse: O Universo é demasiadamente grande para haver nele um centro.
O Homem velho perguntou: E se não há um referencial, há o quê?
O Homem novo disse: Há o que não sabemos e há o que não queremos saber. Existem as coisas para as quais não temos respostas e as respostas que não coincidem com o nosso ponto de vista.
O Homem velho calou-se e resignou-se. Afinal o mundo avança mais depressa que ele e ele não tinha reparado.
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