domingo, 1 de março de 2009

O velho e o novo


O Homem velho disse: Vivamos com o que a luz nos dá.

O Homem novo disse: A luz é o trabalho dos deuses

O Homem velho seguiu: Os deuses habitam no topo do mar, no reino dos céus e nos cumes mais elevados. Os deuses do submundo habitam nas profundezas da terra, nos bosques imensos e nas montanhas flamejantes.

O Homem novo disse: Os deuses habitam entre nós. O Homem depende deles.

O Homem velho expôs: Os deuses são o centro do mundo vivamos para eles.

O Homem novo disse: Não há deuses, há um Deus e tudo é obra d'Ele.

O Homem velho expôs: Deus criou tudo quanto existe.

O Homem novo acrescentou: Deus está vivo e no meio de nós

O Homem velho expôs: Saibamos representar Sua presença na terra, para que a nova ordem seja estabelecida.

O Homem novo ponderou: Será a terra o centro de tudo?

O Homem velho disse: Cortem-lhe a cabeça e dispersem os seus membros pela terra.

O Homem novo não se resignou: Ele está vivo no meio de nós

O Homem velho disse: Chamem os soldados e queimem-lhe os pertences, amaldiçoem as suas gerações e ponham sal nas suas terras para que nada cresça.

O Homem novo propôs: A Terra gira em torno do Sol.

O Homem velho disse: A terra não é o centro do universo.

O Homem novo foi mais além: A nossa galáxia é o centro do universo.

O Homem velho disse: O nosso Sol já não é o centro do Universo.

O Homem novo disse: A origem das espécies está assente em critérios de selecção natural e o criacionismo é uma inverdade.

O Homem velho respondeu que não descendia dos macacos.

O Homem novo disse: O Universo é demasiadamente grande para haver nele um centro.

O Homem velho perguntou: E se não há um referencial, há o quê?

O Homem novo disse: Há o que não sabemos e há o que não queremos saber. Existem as coisas para as quais não temos respostas e as respostas que não coincidem com o nosso ponto de vista.

O Homem velho calou-se e resignou-se. Afinal o mundo avança mais depressa que ele e ele não tinha reparado.

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